Existem pessoas que nascem para ajudar. São pessoas especiais que dedicam suas vidas para o bem dos outros, não se preocupando apenas com o próprio bem estar, mas vivendo para dar uma vida melhor para pessoas que precisam. Nessa viagem estamos tendo a felicidade de conhecer algumas dessas pessoas.

Uma delas é a Miss Chi Cu. Ela havia passado a vida em uma abadia, rezando por pessoas necessitadas, quando em 1995 decidiu agir e abriu um orfanato no bairro de Binh Tan, na periferia de Ho Chi Minh, Vietnã. Naquela época conseguiu abrigar 20 crianças em uma pequena casa de 64 m², construída em um terreno comprado com US$ 800 doados por um italiano.

Com o tempo mais crianças foram chegando ao orfanato, muitos abandonados na porta, outros retirados das ruas da cidade em condições precárias de saúde e logo eram 55 vivendo naquele pequeno espaço. Em 2004, com dinheiro recebido da abadia e da organização VIVPS, ela conseguiu construir uma casa de três andares ao lado do antigo orfanato. Hoje ele abriga 30 meninos e 28 meninas com idade a partir de 8 meses, sendo que isso representa mais crianças do que o espaço comporta. Elas se dividem em dois andares, dormindo em esteiras ou espumas sobre o chão, uma vez que camas e colchões são um luxo que Chi Cu ainda não pode pagar! Atualmente ela sobrevive com doações particulares pois não recebe nenhuma ajuda do governo.

Para tentar se adequar a todas as exigências do estado e com isso passar a receber fundos governamentais, a casa de três andares está em reforma e eles acabaram de conseguir uma nova casa, emprestada por uma senhora vietnamita com direito de uso por vinte anos. Com duas casas, meninos e meninas serão divididos, e já terão 33 camas para acomodar parte das 58 crianças. No entanto ainda ficam faltando 25 camas e todos os colchões.

Foi nesse orfanato, o Truyen Tin, que passamos os 14 dias de nosso voluntariado no Vietnã, uma experiência inesquecível. Chegamos em Ho Chi Minh no dia 31/10/12 e na manhã seguinte fomos levados pela Thu, a coordenadora da organização VIVPS, para lá.

Logo que entramos fomos “atacados” por várias crianças e quando me dei conta estava com cinco no colo, todos pulando, tentando me abraçar e falando um monte de coisas em vietnamita que não tenho a menor idéia do que significavam. Olhei para a Mila e a situação dela era exatamente a mesma! É difícil descrever o quanto essa sensação foi deliciosa!

Para dormir tínhamos a opção de ficar em um hotel e ir todos os dias ao orfanato, mas decidimos vivenciar a mesma realidade das crianças e ficamos hospedados no último andar da casa. Foi mais uma surpresa agradável, o quarto era excelente para os padrões que estamos encontrando nesta viagem, tinha até banheiro e chuveiro dentro. O único ponto um pouco mais complicado era que não havia cama, apenas uma espuma no chão na qual deitamos sobre a canga da Mila. Mas isso é o de menos, temos que lembrar que é melhor do que as esteiras que as crianças têm.

Mas, como às vezes sou azarado, a primeira noite não poderia ser perfeita. Nessa época do ano faz bastante calor no país e resolvemos deixar a janela aberta enquanto dormíamos. Como ainda não estávamos acostumados com a nova “cama” nem com o calor demoramos bastante para pegar no sono e dormimos por volta das 2 da manhã. Um pouco depois comecei a sentir algo deslizando para cima e para baixo das minhas costas. Dei um tapa e levantei para ver o que era. A cena foi ridícula, quebrado e com sono, correndo pelo quarto para achar um chinelo e matar a barata que resolveu usar minhas costas de tobogã!

Depois disso lógico que demoramos para dormir novamente. Após finalmente termos conseguido a Mila quase me mata do coração, gritando e pulando porque tinha uma barata no pescoço dela. Só que dessa vez era um sonho! Bem que haviam nos avisado para fechar a janela, nós que fomos teimosos.

Depois desses dois episódios, fechamos tudo e dormimos sem novas surpresas até às 7h da manhã, quando levantamos para nosso primeiro dia completo com as crianças.

E mais uma vez, logo que chegamos na sala, fomos surpreendidos por vários bracinhos levantados vindo em nossa direção. Não sabia qual deles pegar no colo, então comecei a tentar pegar todos. É muito bom ver o sorriso no rosto de cada um quando brincamos com eles, quando pegamos no colo ou quando simplesmente sentamos ao lado deles.

São crianças que, por sorte, tem uma pessoa que lhes dá casa, comida e roupas, mas que infelizmente são extremamente carentes de contato pessoal, afinal não tem e provavelmente nunca terão o carinho diário de uma família.

Acho que não preciso dizer o quanto nossos dias foram maravilhosos. Sendo disputados por mais crianças do que já convivemos em toda nossa vida, ganhando sorrisos deliciosos e podendo dar um pouco do carinho que eles não conseguem ter com frequência. Lógico que também tivemos momentos tristes, mas isto é assunto para outro post.


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