Durante nosso período nas Filipinas passamos por uma situação muito tensa e triste: acompanhamos a chegada de um tufão que pela contagem atual matou 714 pessoas, sendo que 890 continuam desaparecidas. O estrago final ainda não está claro pois algumas regiões continuam alagadas e isoladas.

As Filipinas recebem em média 20 tufões por ano, normalmente entre junho e novembro, na temporada de tufões. O governo já possui todo o esquema montado para monitoramento do tempo, alertas à população, pedidos de evacuação de áreas, etc. O problema é que estes tufões variam muito em intensidade e muitas vezes o alerta não previne a tragédia.

Quando estávamos em Boracay, curtindo o céu azul e o mar turquesa, soubemos que o tufão Bopha tinha se formado a 700 km de distância e estava vindo em direção ao sul das Filipinas a mais de 200 km/hora.

Nosso próximo destino seria o orfanato em uma ilha logo acima: Romblon. Durante dois dias acompanhamos a evolução do tufão sem saber o que fazer: ficar em Boracay, ir para Romblon ou “fugir” para o norte do país.

Para quem nunca acompanhou a chegada de um tufão digo que é uma situação confusa. A cada 6 horas é liberado um relatório com a posição e intensidade do tufão e são feitas previsões em computador de como ele deve se comportar nos próximos dias. Ninguém sabe ao certo se ele vai ganhar ou perder força e se vai manter a rota ou se desviar. Os próprios moradores do país, super acostumados a receber tufões, não sabiam nos orientar sobre a gravidade ou não da situação. Diziam que só se saberia ao certo quando ele estivesse mais próximo do país.

Infelizmente ele começou a acelerar cada vez mais chegando à categoria 5, com ventos acima de 250 Km/h, e manteve a rota em direção ao sul do país. O governo começou a alertar a população de todas as áreas que seriam afetadas a sair de suas casas e ir para abrigos.

Quando vimos que o cenário estava feio e que todos os barcos foram proibidos de sair ao mar, desistimos de ir ao orfanato e compramos passagens áreas para Manila, a capital. De lá acompanhamos toda a tragédia passando praticamente ao vivo na televisão. O tufão Bopha, apelidado de Pablo nas Filipinas, foi o mais forte a atingir o país neste ano. Em algumas regiões choveu 200 mm em 3 horas! Houve alagamentos e deslizamentos em diversas cidades e famílias inteiras morreram.

Aqui vão algumas imagens da tragédia (fotos da internet, coloquei a fonte no nome da foto):

No fim, depois de todo o estrago, o tufão ainda ameaçou atingir a parte norte do país, ao fazer uma curva, mas felizmente perdeu sua força.

A situação no momento está caótica, segue neste link uma reportagem de ontem da EXAME.

O que nos deixou mais tristes é ver que, como sempre, as pessoas mais simples são as que mais sofrem. Todos souberam do tufão com antecedência. Nós tínhamos dinheiro para comprar passagens e sair da região. Eles não tinham esta opção. Sabiam que um tufão poderosíssimo estava indo em direção a seus lares e suas cidades e não podiam fazer nada, apenas rezar e aguardar. É difícil entender porque sempre alguns tem mais oportunidades do que outros!

E, por força da natureza, acabamos não indo ao terceiro orfanato que planejávamos conhecer. Acredito que por alguma razão não era o momento então teremos que marcar um retorno para as Filipinas  no futuro. Por enquanto só nos resta rezar e mandar nossas boas energias para os milhares que terão que reconstruir suas vidas depois deste tufão.


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