Lobuche – Gorakshep – Everest Base Camp – Gorakshep

Hoje já saímos sabendo que o dia seria longo e emocionante pois iríamos até nosso objetivo: o Everest Base Camp. De Lobuche até Gorakshep caminhamos com um lindo sol e a bela paisagem de sempre, parando apenas para os descansos e xixis.

Almoçamos em Gorakshep, pegamos muita roupa de frio e saímos para o Everest Base Camp. Dos 20 do nosso grupo, apenas um não teve condições de ir e ficou na Tea House Yeti Resort.

O caminho foi longo alternando subidas, áreas planas e descidas. O cenário já mudou completamente e seguimos vendo apenas pedras e gelo, não há nenhuma vegetação.

Quando a subida era muito íngreme eu sentia um pouco de náusea, junto com a já esperada falta de ar. Como a sensação passava assim que eu parava um pouco, e não tive mais nenhum sintoma do mal da altitude, fui liberada para seguir sem nenhum medicamento. O Danilo também está bem e não precisou tomar nada, mas a maioria do nosso grupo já está tomando Diamox há alguns dias. Esta droga ameniza o mal da altitude, ajuda no sono e acelera a aclimatação. Porém, como todo remédio, tem efeitos colaterais e pode mascarar um agravamento do problema. Estamos contentes que não estamos precisando dele.

Seguimos margeando o glaciar Khumbu ouvindo, e algumas vezes vendo, as avalanches nas montanhas ao lado. Mas entre nós e elas havia o glaciar então não corríamos riscos. Depois de andarmos por mais ou menos umas 2 horas começou a nevar, o que deixou o caminho mais emocionante.

Ao chegarmos ao Everest Base Camp, a 5364 m de altitude, encontramos nossos porters com uma surpresa pra nós: eles haviam levado térmicas com suco quente e biscoitos. Naquele mega frio foi um lanche maravilhoso para celebrarmos a conquista. Teve muita choradeira e emoção, principalmente no time feminino.

No Base Camp vimos poucas barracas de expedições ao pico do Everest, pois agora não é o período ideal. A melhor época para tentar a subida ao pico é na primavera, entre abril e maio, já que o tempo é mais estável. Uma de nossas guias sherpas, que conseguiu alcançar o pico na temporada deste ano, nos contou que na alta temporada o Base Camp é quase como uma cidade, com centenas de barracas. Tem barraca supermercado, barraca hospital, barraca para banho, etc. Mas, como sempre tem gente querendo o mais difícil, tinha uma expedição koreana e uma japonesa tentando o pico agora no outono.

Depois da vitória veio a longa volta a Gorakshep, afinal chegar lá foi só metade do caminho. Aqui aprendemos a respeitar as montanhas ao ouvir todas as histórias sobre as pessoas que conseguem alcançar o pico, mas morrem na descida.

Chegamos todos bem, exaustos mas muito felizes!


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