Phortse – Khumjung

Após subirmos ao Everest Base Camp e ao Kala Patthar era hora de começar a volta que, pela nossa cabeça, seria apenas descida. Puro engano! Voltamos por uma trilha diferente da que usamos na ida e, na manhã do 11° dia, tivemos uma longa e inclinada subida que deixou todos quebrados. Ainda estávamos a 3800 m de altitude e sofremos muito. Quando eu estava quase morrendo lembrava de como alguns dias do Caminho de Santiago tinham sido duros na época, e agora pareciam tão fáceis. Nada como mudar o referencial.

Terminamos nossa subida com a parada para o chá em Mong La. De lá tivemos uma bela descida e um pouco mais de subida até chegarmos em Khumjung, nosso destino do dia. Após o almoço fomos conhecer a cidade.

Começamos pela escola, construída em 1961 pelo Sir Edmund Hillary.

Este neozelandês foi o primeiro homem a alcançar o topo do Monte Everest, junto com o sherpa Tenzing Norgay, em 1953. Achei a história interessantíssima. Desde 1921 que várias pessoas tentavam alcançar este feito de subir ao “teto do mundo”. Em 1953, quando oito expedições prévias já haviam fracassado, o inglês John Hunt liderou uma expedição de tamanho descomunal. Levou 20 guias sherpas, 362 porters e 45 tons de bagagem para apenas 10 alpinistas com condições de chegar ao topo. Resolveu que dividiria os alpinistas em duplas e que faria uma série de tentativas, uma por dia, até que uma dupla conseguisse. As duplas só seriam definidas perto do topo, conforme ele avaliasse a condição de cada um naquele ponto. Hillary já havia participado da fracassada tentativa britânica de 1951 e não foi escolhido para a primeira tentativa desta expedição. Em 26/05/53, Tom Bourdillon e Charles Evans saíram para tentar o topo mas tiveram que voltar quando faltava 91 m de altitude para alcançá-lo, o oxigênio de Evans estava falhando. Dois dias depois, em 28/05/53, Hillary e Tenzing colocaram seus nomes na história.

Quando chegaram de volta a Kathmandu, Hillary e Tenzing já eram celebridades mundiais. Houve uma pressão por parte de políticos locais para que eles contassem quem de fato havia pisado no topo do Everest primeiro, mas eles fizeram um pacto de silêncio e disseram que chegaram juntos. Somente muitos anos depois que o sherpa Tenzing, em sua autobiografia, contou que foi Hillary quem pisou primeiro. Depois deste feito Hillary passou boa parte de sua vida ajudando as comunidades sherpas. Construiu muitas escolas e hospitais e é respeitadíssimo e muito querido pelo povo nepalês até hoje.

Visitamos também o Monastério de Khumjung. Nele vimos o couro cabeludo de um yeti, o Abominável Homem das Neves, que, segundo a crença local dos sherpas, existe e vive na região dos Himalaias.

Khumjung – Phakding

Após uma boa noite de sono na Tea House Hidden Village partimos para o 12° dia. Caminhamos até Namche Bazaar, onde comprei um gorro de lã de iaque para mim, afinal em que outro local eu encontraria um?

De Namche começamos a seguir de volta a mesma trilha da vinda. Almoçamos em Monjo, no mesmo local onde havíamos dormido a primeira noite da trilha. Foi um sentimento misto de alegria e tristeza por estarmos voltando ao invés de indo. Caminhamos então até Phakding, onde dormimos na Tea House Sunrise Lodge.

 


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