De O Cebreiro a Sarria: 39 Km (dividimos em duas etapas: O Cebreiro a Triacastela 21 Km e Triacastela a Sarria 18 Km)

Esses dois dias de caminhadas foram bem tranquilos. Era hora de um descanso depois da maratona de dias com mais de 25 Km e também da subida ao Cebreiro. O cenário foi maravilhoso.

No 25° dia andamos por cima das nuvens nas imediações de Teso da Cruz, do monte Area e da Serra de San Roque, tendo o privilégio de ver o sol aparecer logo atrás de uma estátua em bronze homenageando os peregrinos (obra de José María Acuña).

No 26° dia tivemos mais descida leve, entre árvores e pastos, por pequenos pueblos, sem barulho de carros e com uma temperatura extremamente agradável. Além disso, passando por senhoras vendendo amoras, groselhas e framboesas recém colhidas por 1 euro.

No entanto, nem tudo é “calmaria”, a partir de agora o caminho começa a ficar cada vez mais cheio. Primeiro porque passamos o último obstáculo que assusta a maioria dos que querem receber a Compostelana: a subida até os 1300 m onde está localizado O Cebreiro. Segundo porque estamos ficando próximos do marco de 100 Km de distância até Santiago de Compostela, quilometragem mínima para que um peregrino receba a tão desejada Compostelana.

Para vocês terem uma ideia, no ano de 2011 chegaram a Santiago de Compostela 183.366 peregrinos, dos quais 27% começaram após O Cebreiro. Ou seja, mais de 49.000 pessoas começaram a peregrinação nesses locais onde estamos passando agora.

É interessante ver a mudança de perfil dos peregrinos. Começaram os grupos uniformizados, aumentou o número de adolescentes e vemos mais “perdidos” procurando para onde ir. Agora temos até “peregrinos-elétricos”, que colocam o som do celular no máximo e nos dão o prazer de ouvir suas deliciosas playlists de músicas românticas espanholas, ou disco hits 2011, ou hip-hop espanhol, acabando com o silêncio “chato” das trilhas e o som da natureza (que saudades dos Pirineus). Infelizmente aumenta também a sujeira, o barulho e a desorganização. A galera entra no caminho a “mil por hora”.

Vale um comentário para quem estiver começando por aqui, cuidado com a empolgação! Sei que é muito bom usar a lei da gravidade e desembestar morro abaixo, mas quanto mais rápido descemos, maior pode ser o estrago. Não sou médico, mas sinto nas pernas que descer força os joelhos e músculos tanto, ou mais, que subir. Ontem, logo após a entrada de um desses grupos cheios de energia, uma senhora (que estava se aproveitando da lei da gravidade na descida), escorregou e quebrou o pulso bem na nossa frente. Ajudamos a socorrê-la com nosso kit de primeiros socorros e, por sorte, 500 m a frente havia uma intersecção com a rodovia, onde conseguimos um carro para levá-la ao hospital. Para ela o Caminho foi curto. Vale lembrar que não é uma competição, ninguém está anotando quem chega primeiro. O importante é conseguir chegar.

Tirando esse incidente, os dois dias foram deliciosos. Morro abaixo, em trilhas entre árvores e com São Pedro acertando no tempo em cheio. Sem contar que foram dois dias bem curtos, afinal estamos a pouco mais de 100 Km do nosso destino, não há porque correr!


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